Cindy Monteiro (Cabo Verde)

LPNY: Como foi a fase inicial do lançamento da sua marca? (O que despertou a sua inspiração?)

CM: Eu sempre fui uma apaixonada da moda. Desde que me lembro sempre rabisquei roupas, ter o meu atelier e a minha própria marca de roupa sempre foi o meu sonho. Quando regressei para Cabo Verde  e me deparei com a aceitação d’algumas das minhas peças tudo se definiu e a criação da minha marca acabou por se tornar algo lógico.

LPNY: Qual é o objectivo da sua marca? 

CM: A missão da minha marca consiste em transmitir bem estar e elegância a mulher atual. Fazer sobre sair a sua feminidade, o seu glamour numa peça pratica e elegante que lhe facilite o se dia a dia. 


LPNY: Que qualidades ou  tradições culturais você tenta ou deseja retratar através de seu trabalho? 

CM: Sendo eu mesma Cabo Verdianna, tento transmitir os traços culturais da mulher cabo verdiana através as minhas peças. Tento transmitir valores como a força, coragem e determinação que marcam a mulher cabo verdiana na sua estória assim como a sua sensibilidade.


LPNY: Em comparação a (marcas, designers, artistas) de origens culturais diferentes da sua, como e que vocêpermanece relevante nas  tendências de hoje?

CM: Eu me inscrevo num estilo clássico e o clássico já tem a vantagem de ser um estilo que não sai de moda. Isto tentando claro, não cair no monótono. Pretendo continuar a criar baseando nas minhas raízes e sobre tudo me baseando na minha experiencia de vida, naquilo que posso ver e me inspirar no meu dia a dia. Ou seja pretendo continuar a ser EU incrementando as novas necessidades e acompanhando as mudanças do tempo do mundo.


LPNY: Como Africana, o que é que a sua arte e creatividade representam para si ?

CM: Como Africana a minha criatividade e arte representa uma grande parte de mim. Sem isso não poderia estar a fazer aquilo que faço. Eu exprimo uma parte de mim através das minhas peças. A minha cultura, raízes , educação sobre saem a cada um dos traços  para a criação das peças.


LPNY: Como é que se processa a construção de uma nova coleção? Ou será que não existe nenhuma forma específica para cada uma?

CM: Uma coleção é sempre baseada num tema. Eu escolho o tema e de acordo com a atualidade, a minha inspiração ou o ambiente. Um fator muito importante para mim também na escolha do tema e da coleção é a disponibilidade das matérias primas, o tecido. Cabo Verde não possui nenhuma fabrica de tecido ou de qualquer tipo de acessório com ele relacionado. Por isso, tenho de ver com os meus fornecedores exterior o que se pode fazer, escolher as texturas. Dai se decorrem uma série de croquis até que se chegue a aquilo que realmente quero e escolher os que realmente se enquadram para a coleção.



LPNY: O que é que destingue as suas criações (culturalmente, em termos técnicos , visuais, na demografia dos mercados , e em termos materiais) daquelas que se podem observar nas  grandes passerelles hoje em dia ?

CM: Existem muitas razões para que as minhas criações sejam distintas das que podemos ver durante os grandes desfiles. Uma muito simples é que ainda estou no inicio da minha carreira da minha marca. Tenho apenas 2 anos de experiencia e a minha marca ainda nem tem 1 ano. A minha produção ainda é muito “artística”. A nível das matérias para fazer as minhas peças, também se distinguem, porque, de facto é mais difícil fazer com que cheguem a Cabo Verde. Para além disso, eu tenho uma relação muito próxima com a natureza. ( Filha de agricultor) gosto de incorporar matérias naturais em algumas das minhas criações como serapilheira. 


LPNY: Qual foi o evento que realmente lhe abriu portas para a industria da moda ?

CM: O evento que realmente me abriu as portas ca em Cabo Verde, foi um Show de Cabelos organizado pelo Salão de Beleza Stillu’s . Na época para apresentar os diversos penteados precisavam de roupas e para não irem simplesmente enroladas de tecido ou com simples tee shirts; em 3 semanas improvisei 30 trajes básicos para o evento. Resultado : as roupas tiveram um imenso destaque de onde começou se a falar se da estilista Cindy Monteiro e com a aderência do publico vários convites para outros desfiles surgiram e  com essas mesmas roupas e nesta mesma onda surgiu a marca.


LPNY: Como é que planeia permanecer fiel aos seus objectivos iniciais a medida que avança nesta industria  ?

CM: Eu não tenho um plano real. Simplesmente acho que na vida temos sempre que se lembrar de ser fieis a nos mesmos em aquilo que acreditamos e nunca esquecer de onde viemos. E deste mesmo modo conto levar a minha marca. Aprender sim, melhorar sempre, usando tudo aquilo que me poderá ser dado. Nos meus cortes  é que encontro a minha base. E neste sentido pretendo continuar a ser fiel à eles.


LPNY: . Na sua opinião , o que é que  África tem para oferecer neste sector? (Ou no geral)

CM: África é rica em artes, em cultura, e ainda não foi muito explorado a nível internacional. O continente africano possui não só cores, estampas, mas também cortes e técnicas diferentes que pedem também um grande trabalho. Entre outros, a falta de matéria prima e de condições em muitos países africanos também levam o trabalho  a ser muito mais artesanal, com detalhes diferentes atribuindo lhes uma riqueza própria e peculiar que merece ser explorada.



LPNY: Para os novos estilistas , qual é o seu conselho ?

CM: O meu conselho seria de nunca esquecer porquê que decidiram tornearem-se designers, e os traços que realmente o definem. Não significa ficar bloqueado a aquilo à base, mas saber se abrir , saber ouvir, ver e observar, aprender mas tudo isso tendo em mente de nunca perder o seu verdadeiro traço; o traço da sua personalidade.